Ruinarte de Gastão de Brito e Silva
Foi um dos pontos mais altos deste projecto, pois é um dos melhores monumentos militares e talvez a peça mais rara desta colecção devido à sua longa história e importância estratégica. É incompreensível o estado de abandono a que foi votado.
Aguardava impacientemente a oportunidade de o visitar. O acesso é feito pelo Lazareto ou por uma outra propriedade vizinha, o que dificulta qualquer visita que se queira fazer a este local. É necessário avisar o guarda para prender os cães e fazer alguns telefonemas para pedir as autorizações necessárias, embora o monumento seja público.
Antes de o abordar, estudei a sua história e observei-o ao longe por binóculos, verifiquei que no cais que fica por baixo existe uma grua que tem um ponto de observação mesmo ao nível da fachada, se conseguisse autorização para a subir teria a melhor perspectiva possível permitindo um ponto de vista panorâmico que enquadra toda a estrutura além do Lazareto.
Observei-o no Google Earth para melhor o compreender em termos de enquadramento e ambiente envolvente, calculando também qual seria a sua melhor hora solar...é com certeza na Primavera ou Verão...terei de lá voltar para melhor aproveitar a sua orientação em função do astro rei, pois a fachada Norte fica sempre à sombra nesta época do ano...
Tive a sorte de conseguir todas as autorizações e o trabalho correu pelo melhor. Vivi por momentos a emoção de entrar na fortificação de artilharia de costa mais antiga de Portugal...é a mãe de todas as fortalezas...
A sua austera e pesada estrutura mantém-se firme desde os mais remotos tempos, fácilmente se poderia devolver-lhe a dignidade e nobreza com que foi edificada. Ressuscitar este monumento e aproveitá-lo para fins turísticos ou culturais seria uma aposta ganha a quem quisesse investir. A vista para a margem norte é vislumbrante, está perfeitamente alinhado com a Torre de Belém, com que fazia parelha no tiro cruzado à linha de água.
A sua arquitectura por ter sofrido obras de ampliação em várias épocas, é uma miscelânea de estilos e soluções práticas para o seu melhor funcionamento. Assim que se atravessa a porta de armas, tem uma pequena capela ainda com vestígios de frescos e um espartanamente ornamentado retábulo (ou que resta dele), os corredores e escadarias levam-nos a todos os pontos do forte permitindo uma rápida comunicação dentro da estrutura e tem estratégicamente colocados terraços com vistas magníficas, para melhor se poder observar todo o estuário do Tejo.
Há peças de cantaria espalhadas que fariam um puzzle gigantesco, mas de fácil resolução, os telhados das estruturas mais recentes, tal como o seu miolo cederam à muito tempo, como se pode calcular pelas árvores que cresceram dentro de algumas divisões, a fortificação primitiva mantém a solidez com que foi idealizada e não ameaça derrocar.
Li também que há corredores subterrâneos que ligavam às peças de artilharia espalhadas ao longo da encosta, infelizmente não encontrei os acessos e será mais um motivo para lá voltar.
Forte de São Sebastião da Caparica também denominado como Torre de São Sebastião da Caparica, Torre Velha e Fortaleza da Torre Velha, localiza-se na vila do Monte da Caparica , Freguesia da Caparica , Concelho de Almada , Distrito de Setúbal , em Portugal .
A Torre Velha da Caparica é um dos mais importantes exemplares da arquitectura militar renascentista no país, uma vez que foi dos primeiros sistemas de artilharia integrando a defesa da barra do rio Tejo , juntamente com a Torre de Santo António de Cascais e a Torre de São Vicente de Belém .
A primitiva fortificação deste que é o ponto mais estreito da foz do Tejo, em sua margem esquerda, remonta a uma bateria erguida por determinação de D. João I (1385-1433).
No início do século XV , à época do início dos Descobrimentos portugueses , a defesa da foz do Tejo e do porto de Lisboa baseava-se numa nau artilhada, fundeada nas águas do rio. Posteriormente, sob o reinado de D. João II (1481-1495), foi implementado um novo plano de defesa deste porto, baseado em três torres abaluartadas , adaptadas ao tiro rasante da artilharia da época:
- na margem esquerda pelo:
- Baluarte da Caparica, depois conhecido como Torre Velha; e na margem direita, pelas:
- Torre de Santo António de Cascais (Baluarte de Cascais);
- Torre de São Vicente de Belém (Baluarte de São Vicente a par de Belém)
Essas fortificações cooperavam com as naus artilhadas que então patrulhavam o Tejo na tarefa de vigilância e defesa da capital.
A estrutura original do Baluarte da Caparica, segundo gravuras coevas do cronista Garcia de Resende , era composta por uma torre e um baluarte, à semelhança do que foi construído, alguns anos mais tarde, no Baluarte de Cascais na Roqueta de Viana do Castelo e na Torre de Belém .
Sobre essas estruturas e sua relação com o rei D. João II (1481-1495) Garcia de Resende registrou ainda:
"E assim mandou fazer então a (...) torre e baluarte de Caparica, defronte de Belém, em que estava muita e grande artilharia; e tinha ordenado de fazer uma forte fortaleza onde ora está a formosa torre de Belém, que el-Rei D. Manuel, que santa glória haja, mandou fazer; para que a fortaleza de uma parte e a torre da outra tolhessem a entrada do rio. A qual fortaleza eu por seu mandado debuxei, e com ele ordenei a sua vontade; e tinha já dada a capitania dela [a] Álvaro da Cunha, seu estribeiro-mor, e pessoa de que muito confiava; e porque el-Rei João faleceu, não houve tempo para se fazer." (RESENDE, Garcia. Crónica de D. João II, 1545.
Em 1570 , à semelhança do que aconteceu com diversos fortes ao longo da costa portuguesa, D. Sebastião (1568-1578) mandou reformar a antiga torre, transformando-a numa fortificação de maiores dimensões. Nessa época passou a ser designada por Fortaleza de São Sebastião da Caparica. Os trabalhos prosseguiram durante a Dinastia Filipina , tendo o seu projeto sofrido alterações estruturais. Nesta fase a fortificação era conhecida como Torre dos Castelhanos.
No final do século XVIII a estrutura voltou a receber obras, possivelmente de consolidação, dirigidas pelo coronel Francisco D'Alincourt
Da Guerra Peninsular aos nossos dias
No contexto da Guerra Peninsular ; as fortificações da margem sul do Tejo foram desactivadas. Entretanto, o levantamento de Outubro de 1808 , aponta-lhe:
- 5 peças de bronze <, da praça, calibre 36;
- 4 peças de calibre 18;
- 9 peças de calibre 12;
- 5 peças de ferro , calibre 24;
- 9 peças de ferro, calibre 18 e
- 6 peças de ferro, calibre 6.
- 6 reparos para peças de artilharia de praça, de calibre 36;
- 9 reparos para peças de artilharia de campanha, de calibre 12;
- 2 carretas de marinha para peças de calibre 36;
- 5 carretas de marinha para peças de calibre 24;
- 13 carretas de marinha para peças de calibre 18;
- 6 carretas de marinha para peças de calibre 6;
- 2.400 balas e lanternetas dos calibres 36, 18, 12 e 8.
O levantamento de Janeiro de 1828 , aponta-lhe:
- 1 peça de ferro, calibre 28;
- 6 peças de ferro, calibre 6;
- 17 peças de ferro, calibre 12;
- 2 morteiros de ferro, calibre 9;
- 2.500 balas de diversos calibres e
- 50 bombas, calibre 9.
No ano de 1832 a torre voltou a ser remodelada e reativada militarmente. O levantamento desta data computa-lhe:
- 2 peças, calibre 26;
- 6 peças, calibre 24 e
- 4 peças, calibre 18.
Na mesma data, a sua guarnição era composta por:
- 1 subalterno
- 1 sargento
- 3 cabos e
- 31 soldados.
Ao final do século XIX , o forte servia apenas como depósito e alojamento. Nesta fase as suas dependências foram utilizadas como quarentena , destinadas a abrigar passageiros e tripulantes das embarcações que aportavam à Capital com suspeita de moléstias contagiosas, como por exemplo Rafael Bordalo Pinheiro , com suspeita de Febre Amarela , ao retornar do Brasil , tendo deixado registrado com fina ironia o seu maior desagrado quer com os regulamentos quer com as instalações e o tratamento dispensado aos internos.
A estrutura encontra-se classificada como Monumento Nacional por Despacho de 12 de abril de 1996 . Atualmente o monumento encontra-se abandonado.
Características
A estrutura que chegou aos nossos dias conserva as partes fundamentais existentes em meados do século XVII , como pode ser constado pela comparação com uma planta datada de 1692 no acervo da Torre do Tombo (Coleção Casa de Cadaval).
A planta da fortificação desenvolve-se em "U", composta por três corpos e três baluartes com casernas . Uma das extremidades é prolongada por um baluarte e pela torre de vigia. Junto à Porta de Armas foi edificada a Capela , sob a invocação de São Sebastião. O corpo central da Torre Velha apresenta planta quadrangular, rebaixada, à qual foi adossada a Casa do Governador. Sobre a antiga porta da praça, junto à torre, inscreve-se uma pedra de armas com armas de Portugal.
Curiosidades
Aqui, na Torre Velha, D. Francisco Manuel de Melo escreveu a obra "Carta de Guia de Casados " (Lisboa, 1651).
Fonte : Wikipedia
"O local ficou assinalado pela presença dos romanos e dos árabes que escolheram este pequeno porto do Tejo para termo da sua principal estrada. Inicialmente denominaram-na Castelo do Porto-Brandão.
A Torre Velha foi mandada construir por D. João II, no séc. XV. O seu nome vem da antiguidade em relação à torre erguida em frente, em Belém (Torre de Belém), por D. Manuel para, em articulação com esta, cobrir com artilharia toda a área do Tejo, defendendo a sua entrada.
D. Sebastião mandou-a reedificar em 1570, passando a partir daí a chamar-se Torre ou Fortaleza de São Sebastião de Caparica. Mais tarde, foi conhecida por Torre dos Castelhanos, pois estes fizeram-lhe algumas obras e colocaram sobre o pórtico de serventia da praça as armas de Castela, em 1640, despedaçadas pelo povo. Após esta data, a fortaleza teve grandes obras de melhoramento. A sua forma não era regular, a torre era redonda e tinha uma capela consagrada a São Brás e São Sebastião. Pertencia ao Padroado Real e eram seus alcaides-mores e governadores perpétuos os senhores da Casa e Morgado de Caparica. No final do século XIX, instalou-se nesta fortaleza o Lazareto Velho e, mais tarde, construiu-se um outro edifício para o Lazareto Novo, actualmente ocupado pelo Asilo 28 de Maio".
José Quintanilha Mantas 





















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