sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Ruinarte de Gastão de Brito e Silva

Foi um dos pontos mais altos deste projecto, pois é um dos melhores monumentos militares e talvez a peça mais rara desta colecção devido à sua longa história e importância estratégica. É incompreensível o estado de abandono a que foi votado. 
 
Aguardava impacientemente a oportunidade de o visitar. O acesso é feito pelo Lazareto ou por uma outra propriedade vizinha, o que dificulta qualquer visita que se queira fazer a este local. É necessário avisar o guarda para prender os cães e fazer alguns telefonemas para pedir as autorizações necessárias, embora o monumento seja público.


Antes de o abordar, estudei a sua história e observei-o ao longe por binóculos, verifiquei que no cais que fica por baixo existe uma grua que tem um ponto de observação mesmo ao nível da fachada, se conseguisse autorização para a subir teria a melhor perspectiva possível permitindo um ponto de vista panorâmico que enquadra toda a estrutura além do Lazareto.

Observei-o no Google Earth para melhor o compreender em termos de enquadramento e ambiente envolvente, calculando também qual seria a sua melhor hora solar...é com certeza na Primavera ou Verão...terei de lá voltar para melhor aproveitar a sua orientação em função do astro rei, pois a fachada Norte fica sempre à sombra nesta época do ano...


Tive a sorte de conseguir todas as autorizações e o trabalho correu pelo melhor. Vivi por momentos a emoção de entrar na fortificação de artilharia de costa mais antiga de Portugal...é a mãe de todas as fortalezas... 
 
A sua austera e pesada estrutura mantém-se firme desde os mais remotos tempos, fácilmente se poderia devolver-lhe a dignidade e nobreza com que foi edificada. Ressuscitar este monumento e aproveitá-lo para fins turísticos ou culturais seria uma aposta ganha a quem quisesse investir. A vista para a margem norte é vislumbrante, está perfeitamente alinhado com a Torre de Belém, com que fazia parelha no tiro cruzado à linha de água. 


A sua arquitectura por ter sofrido obras de ampliação em várias épocas, é uma miscelânea de estilos e soluções práticas para o seu melhor funcionamento. Assim que se atravessa a porta de armas, tem uma pequena capela  ainda com vestígios de frescos e um espartanamente ornamentado retábulo (ou que resta dele), os corredores e escadarias  levam-nos a todos os pontos do forte permitindo uma rápida comunicação dentro da estrutura e tem estratégicamente colocados terraços com vistas magníficas, para melhor se poder observar todo o estuário do Tejo. 
 
Há peças de cantaria espalhadas que fariam um puzzle gigantesco, mas de fácil resolução, os telhados das estruturas mais recentes, tal como o seu miolo cederam à muito tempo, como se pode calcular pelas árvores que cresceram dentro de algumas divisões, a fortificação primitiva mantém a solidez com que foi idealizada e não ameaça derrocar. 


Li também que há corredores subterrâneos que ligavam às peças de artilharia espalhadas ao longo da encosta, infelizmente não encontrei os acessos e será mais um motivo para lá voltar. 
 
Forte de São Sebastião da Caparica também denominado como Torre de São Sebastião da Caparica, Torre Velha e Fortaleza da Torre Velha, localiza-se na vila do Monte da Caparica  , Freguesia da Caparica  , Concelho de Almada , Distrito de Setúbal  , em Portugal .
 
A Torre Velha da Caparica é um dos mais importantes exemplares da arquitectura militar renascentista  no país, uma vez que foi dos primeiros sistemas de artilharia  integrando a defesa da barra do rio Tejo  , juntamente com a Torre de Santo António de Cascais  e a Torre de São Vicente de Belém  .
 
A primitiva fortificação deste que é o ponto mais estreito da foz  do Tejo, em sua margem esquerda, remonta a uma bateria   erguida por determinação de D. João I  (1385-1433).
 
No início do século XV , à época do início dos Descobrimentos portugueses  , a defesa da foz do Tejo e do porto de Lisboa  baseava-se numa nau   artilhada, fundeada nas águas do rio. Posteriormente, sob o reinado de D. João II  (1481-1495), foi implementado um novo plano de defesa deste porto, baseado em três torres  abaluartadas  , adaptadas ao tiro rasante da artilharia da época:

  • na margem esquerda pelo:




    • Baluarte da Caparica, depois conhecido como Torre Velha; e na margem direita, pelas:
    • Torre de Santo António de Cascais (Baluarte de Cascais);
    • Torre de São Vicente de Belém (Baluarte de São Vicente a par de Belém)



 Essas fortificações cooperavam com as naus artilhadas que então patrulhavam o Tejo na tarefa de vigilância e defesa da capital.
 
A estrutura original do Baluarte da Caparica, segundo gravuras coevas do cronista Garcia de Resende  , era composta por uma torre e um baluarte, à semelhança do que foi construído, alguns anos mais tarde, no Baluarte de Cascais  na Roqueta de Viana do Castelo e na Torre de Belém .



Sobre essas estruturas e sua relação com o rei D. João II (1481-1495) Garcia de Resende registrou ainda:
"E assim mandou fazer então a (...) torre e baluarte de Caparica, defronte de Belém, em que estava muita e grande artilharia; e tinha ordenado de fazer uma forte fortaleza onde ora está a formosa torre de Belém, que el-Rei D. Manuel, que santa glória haja, mandou fazer; para que a fortaleza de uma parte e a torre da outra tolhessem a entrada do rio. A qual fortaleza eu por seu mandado debuxei, e com ele ordenei a sua vontade; e tinha já dada a capitania dela [a] Álvaro da Cunha, seu estribeiro-mor, e pessoa de que muito confiava; e porque el-Rei João faleceu, não houve tempo para se fazer." (RESENDE, Garcia. Crónica de D. João II, 1545.

 

Em 1570 , à semelhança do que aconteceu com diversos fortes ao longo da costa portuguesa, D. Sebastião  (1568-1578) mandou reformar a antiga torre, transformando-a numa fortificação de maiores dimensões. Nessa época passou a ser designada por Fortaleza de São Sebastião da Caparica. Os trabalhos prosseguiram durante a Dinastia Filipina  , tendo o seu projeto sofrido alterações estruturais. Nesta fase a fortificação era conhecida como Torre dos Castelhanos.
 
No final do século XVIII a estrutura voltou a receber obras, possivelmente de consolidação, dirigidas pelo coronel Francisco D'Alincourt
Da Guerra Peninsular aos nossos dias
No contexto da Guerra Peninsular ; as fortificações da margem sul do Tejo foram desactivadas. Entretanto, o levantamento de Outubro de 1808 , aponta-lhe:

  • 5 peças de bronze <, da praça, calibre 36;
  • 4 peças de calibre 18;
  • 9 peças de calibre 12;
  • 5 peças de ferro , calibre 24;
  • 9 peças de ferro, calibre 18 e
  • 6 peças de ferro, calibre 6.
  • 6 reparos para peças de artilharia de praça, de calibre 36;
  • 9 reparos para peças de artilharia de campanha, de calibre 12;
  • 2 carretas de marinha para peças de calibre 36;
  • 5 carretas de marinha para peças de calibre 24;
  • 13 carretas de marinha para peças de calibre 18;
  • 6 carretas de marinha para peças de calibre 6;
  • 2.400 balas e lanternetas dos calibres 36, 18, 12 e 8.
O levantamento de Janeiro de 1828  , aponta-lhe:

  • 1 peça de ferro, calibre 28;
  • 6 peças de ferro, calibre 6;
  • 17 peças de ferro, calibre 12;
  • 2 morteiros   de ferro, calibre 9;
  • 2.500 balas de diversos calibres e
  • 50 bombas, calibre 9.
No ano de 1832   a torre voltou a ser remodelada e reativada militarmente. O levantamento desta data computa-lhe:

  • 2 peças, calibre 26;
  • 6 peças, calibre 24 e
  • 4 peças, calibre 18.
Na mesma data, a sua guarnição era composta por:

  • 1 subalterno
  • 1 sargento
  • 3 cabos e
  • 31 soldados. 

Ao final do século XIX  , o forte servia apenas como depósito e alojamento. Nesta fase as suas dependências foram utilizadas como quarentena , destinadas a abrigar passageiros e tripulantes das embarcações que aportavam à Capital com suspeita de moléstias contagiosas, como por exemplo Rafael Bordalo Pinheiro  , com suspeita de Febre Amarela , ao retornar do Brasil , tendo deixado registrado com fina ironia o seu maior desagrado quer com os regulamentos quer com as instalações e o tratamento dispensado aos internos.


A estrutura encontra-se classificada como Monumento Nacional   por Despacho de 12 de abril   de 1996  . Atualmente o monumento encontra-se abandonado.
Características
A estrutura que chegou aos nossos dias conserva as partes fundamentais existentes em meados do século XVII , como pode ser constado pela comparação com uma planta datada de 1692  no acervo da Torre do Tombo (Coleção Casa de Cadaval).

 
A planta da fortificação desenvolve-se em "U", composta por três corpos e três baluartes   com casernas . Uma das extremidades é prolongada por um baluarte e pela torre de vigia. Junto à Porta de Armas foi edificada a Capela  , sob a invocação de São Sebastião. O corpo central da Torre Velha apresenta planta  quadrangular, rebaixada, à qual foi adossada a Casa do Governador. Sobre a antiga porta da praça, junto à torre, inscreve-se uma pedra de armas com armas de Portugal.
Curiosidades
Aqui, na Torre Velha, D. Francisco Manuel de Melo  escreveu a obra "Carta de Guia de Casados " (Lisboa, 1651).

Fonte : Wikipedia



"O local ficou assinalado pela presença dos romanos e dos árabes que escolheram este pequeno porto do Tejo para termo da sua principal estrada. Inicialmente denominaram-na Castelo do Porto-Brandão.
A Torre Velha foi mandada construir por D. João II, no séc. XV. O seu nome vem da antiguidade em relação à torre erguida em frente, em Belém (Torre de Belém), por D. Manuel para, em articulação com esta, cobrir com artilharia toda a área do Tejo, defendendo a sua entrada.
D. Sebastião mandou-a reedificar em 1570, passando a partir daí a chamar-se Torre ou Fortaleza de São Sebastião de Caparica. Mais tarde, foi conhecida por Torre dos Castelhanos, pois estes fizeram-lhe algumas obras e colocaram sobre o pórtico de serventia da praça as armas de Castela, em 1640, despedaçadas pelo povo. Após esta data, a fortaleza teve grandes obras de melhoramento. A sua forma não era regular, a torre era redonda e tinha uma capela consagrada a São Brás e São Sebastião. Pertencia ao Padroado Real e eram seus alcaides-mores e governadores perpétuos os senhores da Casa e Morgado de Caparica. No final do século XIX, instalou-se nesta fortaleza o Lazareto Velho e, mais tarde, construiu-se um outro edifício para o Lazareto Novo, actualmente ocupado pelo Asilo 28 de Maio"
.


José Quintanilha Mantas  

Ruinarte de Gastão de Brito e Silva

O Lazareto Novo de Lisboa era um local onde os viajantes que entravam na capital por via marítima suspeitos de alguma doença contagiosa ficavam retidos de quarentena. Este lazareto fica situado no Porto Brandão, localidade pitoresca e aldeia piscatória na margem Sul. Estava agregado ao forte de S. Sebastião da Caparica ou Torre Velha,  foi construído em em 1869 para substituir o antigo que  que estava integrado na fortaleza atrás mencionada. Mais tarde foi baptizado como Asilo 28 de Maio e albergou no pós 25 de Abril sob a tutela da Casa Pia, uma pequena multidão vinda das províncias africanas, em especial de Cabo Verde.

Este edifício é de uma envergadura extraordinária, era tido como um dos melhores e maiores da Península Ibérica, distingue-se pela sua arquitectura de planta radial e é composto por seis blocos no seu interior. Os doentes e funcionários coexistiam em alas separadas e possuia também um cemitério privativo, além de uma ala para desinfecção e armazéns.Chegou a servir de morada a 841 almas nos seus últimos tempos. . 

É um monumento que foi devotado ao ostracismo pela nossa história, ali se passaram inúmeros episódios de relevo que caíram no esquecimento tendo sido apagados das nossas memórias. Soube da sua existência por um programa do Prof. Hermano Saraiva e desde então que o quis visitar. Quando iniciei este trabalho lembrei-me de o incluir e comecei as diligências para o fotografar. Contactei a junta de freguesia que me enviou para a Casa Pia, passados um mês e meio e após várias tentativas fui novamente  enviado para a Sagestamo, empresa pública que faz a alienação do património do estado e era na altura o proprietário, foi recentemente vendido a uma sociedade investidora que faz questão em preservar o anonimato.

Tive na Sagestamo uma  longa e prazeirosa reunião onde expus o meu projecto à direcção que depressa anuiu na autorização para o visitar,  tal como fizeram questão de se juntar e acompanhar a sessão de fotografia, pois são também aficcionados dessa arte. Formou-se um divertido grupo de fotógrafos que mais  pareciam crianças a viver uma aventura dos cinco. Além de ter enriquecido este portfólio ainda fiz bons amigos, apoiantes incondicionais desta causa que é a preservação do património arquitectónico.

Quando cheguei à ruína, separei-me do grupo para melhor sentir o ambiente, tentar viver as suas histórias e ouvir as suas memórias impregnadas em todo o lado. Sabia que além de um incêndio, tinha havido uma derrocada que infelizmente ceifou algumas vidas. Havia vestígios dos últimos locatários em cada metro quadrado desta estrutura. Restos de brinquedos, roupas velhas e esquecidas, peças de mobiliário, electrodomésticos ferrugentos, as caixas de correio que ostentam ainda os nomes dos antigos inquilinos, pinturas murais... Autênticos “fantasmas” que se fazem ouvir a todo o instante cuja presença não nos deixa esquecer as vivências diárias de uma comunidade que ali habitou durante vários anos, criando uma curiosa viagem no tempo.



Todo o complexo é rico em linhas de pura  de arquitectura, com a traça de um estilo pesado e austero, porém com algum romantismo e ao mesmo tempo muito rico em pormenores  que indubitavelmente valorizam este espaço...colunas de ferro fundido que se mantém tão firmes como quando foram concebidas para suportar os pesados tectos, enormes escadarias que conduziam a todas as alas entre si por entre labirínticos corredores, permitindo uma comunicação rápida e eficaz dentro de todo o edifício.

Por ter havido derrocadas e devido a prolongado estado de abandono do Lazareto, é deveras perigoso aventurarmo-nos nalguns dos locais mais  fotogénicos, além de que a sua fachada Norte é demasiado grande e não nos  permite um espaço de recuo suficiente para tirar partido de um enquadramento total, pois fica sobranceira a uma arriba mesmo de frente para Belém, como tal nunca uma reportagem fotográfica conseguirá expor da melhor maneira esta grandiosa estrutura...gostava de ter um avião só para estas andanças...quem sabe um dia... 



A ruína é guardada por um funcionário e sua família, o simpático Xarepa, chamamos-lhe por brincadeira o “Shrek”, que nos soube receber com um copioso lanche antes da despedida gerando-se depois uma agradável tertúlia. O “Shrek” tem a sua criação no local e entre cabras, ovelhas, galináceos e os amigos "sacanideos", lá vive feliz com uma magnífica vista sobre Lisboa, na calma e melancolia sossegada de um monte devoluto tão perto e tão longe da civilização. A sua generosidade e simplicidade marcam a sua humilde pessoa, tal como um frade que recebe no seu mosteiro e que quer ter a certeza que todos ficaram agradados.

Foi um prazer conhecer o "Shrek"...




 Disseram-me que está pensado um hotel para o local, seria uma grande iniciativa na reabilitação deste imóvel, ele merece e nós também...



Foi de longe a ruína mais marcante que fotografei, gostaria de lá voltar e reviver esta aventura.



Já programei uma nova visita para fotografar a Torre de S. Sebastião da Caparica...aguardem o post  pois vai ser um dos mais interessantes...trata-se da mais antiga fortaleza costeira do País...em ruínas...


Á Elsa, Patrícia, Dr. Ondas Fernandes e Engº. João Malafaia...obrigado...

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Projeto/Tese de Mestrado da Ilustradora Prof. Sofia Brito

Objectivos do Projecto / Problemática Envolvida
- Desenvolver um projecto de um centro de actividades de ilustração, que ligue as margens do Rio Tejo: Belém / Porto Brandão.
- Dinamizar e motivar uma população para um trabalho que ilustre a sua própria história e cultura.
- Envolver uma comunidade do Porto Brandão e não só, participando num projecto de ilustração a fim de ocupar os tempos livres, bem como desenvolver aptidões de trabalho em grupo com e para  a comunidade.
- Enriquecer e aproveitar espaços de forma lúdica/ pedagógica e melhoramento de uma pequena zona urbana do Porto Brandão (centro)  “personalizando” um projecto, valorizando e gerindo as capacidades e interesses da comunidade.
- Desenvolver ilustrações a fim de serem aplicadas em diversos suportes que serão definidos no decorrer do projecto. (Alguns exemplos de aplicações práticas: ilustrações para panfletos de promoção da freguesia; Instalações nos espaços exteriores; Intervenções nas paredes das habitações, entre outros).
- Assim sendo, as técnicas podem ser diversas adaptando-se a cada projeto, experienciando e num espírito de partilha através dos saberes de uma população (exemplo: bordados)

No dia 24 de Julho fizemos um arraial no beco

Limpámos a Praia

O Movimento cívico Porto Brandão criado no FaceBook,  no dia 16 de Julho limpou a praia do Porto Brandão com o apoio da JF de Caparica, Agrupamento 54 dos Escuteiros do Monte de Caparica e uma equipa da APPCDM da Qtª dos Inglesinhos - Caparica.

O Primeiro encontro do Grupo do Porto Brandão